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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Orações óbvias






   Somos muito propícios a entrar no piloto automático em nosso relacionamento com Deus, esquecemos que Ele é uma pessoa real, presente, atuante, criativa e com visão ampla e infinita. Em vários pontos de nossa caminhada, enquadramos Deus em uma padronização de ações e achamos que Ele, para cada ação tem uma reação pré-definida: "fizemos assim então Ele tem que responder assado", "demos tanto e Ele tem que nos pagar com tanto". Em nossa cabeça descobrimos os segredos que acionam o agir de Deus, uma forma de fazer sua atenção se voltar para nós e nos abençoar. Deus cai na nossa lógica previsível e passamos a "manipulá-lo", como se ele fosse um ídolo passível de se colocar de ponta-cabeça, caso não atenda nossas petições.

    Por outro lado, não tão extremo mas muito comum, também corremos o risco corriqueiro de entender certas situações como óbvias que não necessitam do direcionamento buscado através da oração e da leitura da Palavra. Nossa experiência com Deus, ao invés de nos levar cada vez mais próximo dele, enriquecendo nosso diálogo diário com Ele, nos faz pensar que o que decidimos, bem intencionados, pelo bem da família, pelo bem da igreja, pelo bem do Reino, sempre terá o aval de Deus e que não precisamos nem consultá-lo. Mas nem tudo é tão obvio como imaginamos e os planos de Deus sempre são mais altos que os nossos, pequenos padauãs!

     Lendo 2 Samuel 7, percebemos que Davi e o profeta Natã passaram por essa mesma situação. Davi teve a ideia bem intencionada de construir uma casa, um templo para Deus, e Natã, o profeta, concordou e abençoou a ideia,  tudo parecia tão óbvio, pois o povo não caminhava mais no deserto,  já estava na sua terra prometida, já tinha um rei, logo nada melhor do que construir um templo mais resistente e bonito para a Arca da Aliança ficar e Deus habitar, ou seja, nem era necessário consultar a Deus! Mas depois de uma noite de oração, aquilo que parecia cheio de boas intenções, era no minimo inadequado diante de Deus para o momento.

 Após ouvir a vontade de Deus Davi orou e simplesmente agradeceu porque Deus não queria que Davi fizesse nada por ele, Davi não tinha que se preocupar com aquilo no momento, até porque Deus não havia lhe pedido nada, mas apenas se concentrasse no que Deus fez e ainda faria por Davi, consolidando o seu reinado e vencendo seus inimigos de guerra. Davi teve coragem de desistir de controlar a situação e perceber que o que importa é o que Deus faz por nós e não o que fazemos por ele sem que ele peça. E assim, somos nós, quanto menos oramos, mais nossa vontade de controlar tudo, inclusive fazendo coisas para Deus, se manifesta. Orar e buscar a vontade de Deus através da Palavra é primeiramente se deleitar em Deus, no que Ele já fez por nós, descansar nos seus planos e agir totalmente direcionado por Ele.


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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Religiosidade



      Já fiz uma postagem sobre religião (aqui), onde falo que não vejo problema algum em dizer que tenho uma religião, também não tenho problemas com a palavra religiosidade, que deriva da primeira significando a qualidade de quem é religioso. Vejo na birra com essas palavras, mais um motivo para se polemizar na internet, uma discussão que para mim não tem muito sentido. Sabemos a denotação (o significado literal da palavra) e ela é ok para o nosso uso como cristãos, agora as diversas conotações (sentidos mais amplos que dependem do contexto) que ela tem sugerido na atualidade, como algo mais pejorativo, onde o religioso é alguém inflexível, sem raciocínio sobre as Escrituras, e mais ligado a cerimonialismo do que com a vivência cristã, isso vai depender da pessoa que faz válida um ou outro sentido em sua vida, o que quero dizer é que: o que é importante é onde está a base de nossa religião ou religiosidade, isso vai determinar se ela é ruim ou não. Senão, viveremos mudando as palavras porque elas adquirem uma conotação negativa, como é o caso de muitos evangélicos que não curtem mais serem chamados assim, cristão está mais em voga ultimamente (também já falei sobre isso aqui).

      Depois de toda essa introdução não despropositada, vamos para Saul (1º Sm 13 - 16)! Saul foi um rei escolhido por Deus e seu reinado começou com o Espírito de Deus se apossando dele. Tudo parecia ter começado bem até que em uma batalha, o sacerdote Samuel demorou a aparecer e Saul ofereceu um sacrifício no lugar do sacerdote. Saul caiu da armadilha de pensar que o sacrifício em si iria ligar um botão em Deus e ele faria sua mágica para unir os soldados e ganhar a batalha. Ele não estava atento ao significado do sacrifício e o motivo pelo qual somente o sacerdote poderia fazê-lo, por isso, ele preferiu desobedecer e sacrificar, ele estava baseando sua religião nos alicerces errados e sua religiosidade, por não estar em Deus, começou a tomar um rumo estranho. Ou seja, Saul não estava sendo simplesmente religioso, ele estava desenvolvendo uma falsa religião. Quanto mais longe de Deus, Saul ficava, mais ele se apegava a rituais, fazia votos desnecessários e por causa disso, quase matou o próprio filho Jônatas, porém continuava desobedecendo aquilo que Deus orientava através de Samuel. A falsa religião de Saul, ao meu ver, é diferente da falsa religião dos fariseus, pois me parece que Saul estava de fato perdido, não compreendia o Deus de Israel, já os fariseus estavam mais tendendo a hipocrisia mesmo, cumprindo a lei em alguns pontos e outros não, com rituais até extra-bíblicos, vivendo de aparência e colocando fardos pesados sobre os outros.

     Esta história nos ensina uma lição imensa, precisamos parar e analisar em que medidas estamos sendo como Saul: falsos religiosos, rumando para uma vida de justificação própria, querendo fazer por merecer o amor de Deus, fazendo votos que tentam manipular a vontade de Deus. Loucos! Desobedecendo a Deus constantemente e fazendo rituais de purificação e penitências, literalmente pagando promessas! Isso nos mostra que estamos longe de Deus e nossa insegurança do Seu amor em relação a nós, faz com que busquemos processos palpáveis que nos provem que ele está conosco ou nos conduzam a Ele, que se parássemos um pouco para raciocinar sobre nossos atos, veríamos que não fazem sentido algum. Somente uma vida de oração e leitura praticante da Palavra de Deus (mesmo que cheio de tropeços, mas de forma insistente) nos encherá naturalmente da certeza de que estamos andando com Cristo e que sua vontade será soberana, além de perfeita para nós!




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quinta-feira, 7 de julho de 2016

O impostor que vive em mim



    Em minha igreja, no mês de junho, tivemos uma série de ministrações baseadas no livro "O impostor que Vive em Mim" do Brannam Manning, confesso que não li o livro, mas já li o Evangelho Maltrapilho do mesmo autor e, pelo que vi, são similares em algumas ideias. Cada domingo foi nos ensinado sobre um impostor que podemos "assumir", quando desejamos nos chegar a Deus ou resolver nossos problemas com nossas próprias forças. Vou compartilhar com vocês de forma resumida alguns aprendizados que me encheram o coração de alegria! 

O impostor que pode tudo - Lc. 22.31-34

    Durante a Santa Ceia, um momento íntimo de Jesus com seus apóstolos, Pedro disse aquilo que era conveniente e louvável diante de Jesus, mas não estava sendo realmente sincero, cometendo dois equívocos.

1° equívoco: Achar que ele estava pronto. Pedro se sentiu autossuficiente, forte, super crente, inabalável, e com frequências nos sentimos assim, e num piscar de olhos começamos a achar que de fato somos bons e fortes por nós mesmo, que talvez Deus nos ame porque somos realmente bons e diferenciados da multidão. Esquecemos que Jesus é nossa força para vencer o pecado e as situações. Nós amadurecemos com Cristo mas não podemos jamais confiar em nossa própria capacidade de ser e realizar sozinhos. 

2 ° equívoco: dizer que amava a Cristo com o maior amor. Pedro não estava mentindo, ele até atacou um guarda para proteger Jesus (Jo. 18.10), mas quando Jesus curou o guarda e se entregou, Jesus agiu fora do que Pedro esperava, veio o medo das implicações do que Jesus estava fazendo e o que isso significava para o que Pedro achava que Jesus, o Messias, o futuro rei de Israel deveria fazer. O amor de Pedro estava bastante ligado a circunstância e as próprias expectativas dele em relação a Jesus, ele percebe que não era um amor acima de todas as coisas. Ele percebeu que seu ego pode engá-lo muitas vezes.

    Em Jo. 21.15-17, Jesus pergunta se Pedro o amava (Ágape - amor incondicional), e Pedro foi sincero ao dizer que gostava muito dele (Filos - um amor mais circunstancial), não ainda um amor acima de tudo. Pedro foi sincero desta vez, e Jesus, então, mostrou a Pedro, pedindo que ele cuidasse de seu rebanho, que Ele quer se relacionar com  Cristo sem máscaras, pois Cristo não se relaciona conosco de acordo com nosso amor por Ele, mas pela quantidade de amor que Ele tem por nós. 

   Quando abrimos mão de nossas aparências, nos auto enganando achando que somos super crentes que podem tudo,  dizemos a Ele que que não somos aquilo que Ele quer de nós, mas que desejamos ser. Assim, Deus se relacionará conosco de forma real, sem o impedimento de nossas nossas máscaras e aparências que nos afastam do seu amor.

O impostor que sabe tudo - 1 Re. 19. 1-18

    Elias foi um homem muito usado por Deus para fazer coisas extraordinárias, mas mesmo depois de tantos milagres de Deus através de Elias, após sofrer UMA ameaça de Jezabel, ele fica com medo e foge.

   Baseado em uma experiência passada (1 Re. 17.3-6), em que Deus pede para Elias se esconder do rei Acabe, após ter orado para que não chovesse, Elias, agora, após matar os profetas de Baal, foge novamente, só que dessa vez sem a orientação de Deus. Elias se equivoca duplamente, por achar que já sabia exatamente os objetivos e ações de Deus e por se gabar de ser o único que havia sobrado de fiel ao Senhor, justificando sua fulga. Elias se colocou numa posição de impostor que sabia tudo sobre Deus e sua forma de trabalhar, não precisando mais consultá-Lo.

    Diversas vezes queremos ensinar Deus a trabalhar e queremos encaixar Deus em nossas expectativas e ainda justificamos nossas ações dizendo que fizemos aquilo porque somos fieis a Deus e queríamos agradá-lo. Experiências do passado nos servem de aprendizado no presente, mas não podem nos fazer pensar que Deus agirá sempre da mesma forma e que ele está sujeito às circunstâncias. Que depois de certas experiências já somos tão orientados por Deus naturalmente que não precisamos mais parar tudo e buscar sua orientação. Sempre seremos traídos pelo nosso coração enganoso e precisamos sempre estar alerta e debaixo da busca incessante sobre a vontade de Deus para nós.

    Posteriormente, após dar lugar para este impostor que sabia tudo, vemos Elias com um discurso confuso, sem saber exatamente o que ele queria.  Elias ficou num desanimo desproporcional a situação, achou seu fardo pesado demais, se sentiu cansado e desejou morrer,  mas não era o que ele queria de verdade, tanto que ele come duas vezes a refeição preparada por Deus, descansa e caminha cerca de 250 km até o Sinai, o monte sagrado. Ele teve muitas oportunidades de morrer, mas não executou aquilo que ele demostrou ser sua vontade. Elias ficou perdido, pois saiu do centro da vontade de Deus, e assim ficamos também, quando nos afastamos da Sua vontade. Elias estava mais para o filho manhoso que quer receber um dengo de seus pais, se colocando para baixo mas em seu íntimo ansiando pelo consolo de Deus, ansiando arrancar a roupa de impostor e mostrar seu verdadeiro EU para Deus. E Deus é tão misericordioso, não nos dando aquilo que merecemos, que foi justamente isso que ele deu a Elias.

    Quando o profeta chega na presença de Deus, fenômenos naturais ocorreram causando destruição mas a presença de Deus não estava neles, Deus apareceu a ele num sussurro calmo e suave, numa brisa. Deus se mostrou não um Deus de punição, mas de reconciliação, pronto a perdoar e a resolver a situação. Fez com que Elias voltasse para onde ele teria que estar para começar de novo e cumprir o que Deus havia planejado.  

   Deus pode entrar em nossas vidas com fogo, terremoto, destruição, dura correção, e totalmente justificável porque é exatamente isso que merecemos, mas ele olha para nós, além desse impostor que acha que sabe tudo, para entrar em nossas vidas com sussurro e calmaria para nos dar um novo recomeço. Deixemos essa máscara, essa roupagem de impostor que sabe muito e pensa que controla tudo a sua volta, inclusive Deus. Este auto-engano nos leva apenas a cansaço, desânimo, a correr atrás do vento! E aprendamos que em buscar a Deus e nos deleitarmos em sua vontade está a nossa alegria e força!

O deus impostor que vive em nós - Nm. 20. 1-13.

    Deus havia prometido que ninguém da geração murmuradora e incrédula que saiu do Egito entrariam na terra prometida, a não ser Josué e Calebe. Neste texto, Deus começa a executar sua promessa e veremos que nem mesmo Arão, Miriam ou Moisés pisariam em Canaã.

    Os Israelitas não estavam vendo a ação de Deus (v. 3) e acharam que iriam morrer longe de Dele no deserto, interessante pensar que eles preferiam ter sido engolidos pela terra na revolta de Coré, morrer na ira do descontentamento de Deus, ao passar as provações do deserto, todas sempre com a provisão miraculosa do próprio Deus. Em todo o percurso, quando Deus não agia conforme eles esperavam, eles pensavam que Deus estava ausente, Deus "não estava fazendo a parte combinada", e a parte combinada era fazê-los felizes alcançando seus sonhos, sem percalços. A imagem do deus que eles estavam servindo ainda estava manchada pelo que eles viveram no Egito, com deuses geniosos e inconstantes, manipuláveis pelos homens. Mas este não, este era o Deus de Israel. Será que este povo parece com alguém que conhecemos? Tipo a gente mesmo?!

    Devido a sua imensa misericórdia, Deus ouviu as reclamações do povo (v. 8) e chamou Moisés para que ele mostrasse a presença de Deus no meio do povo, trazendo a memória do povo, através do bastão de Arão que havia florescido (Nm. 17), que Deus traz a existência o que ainda não existe com sua Palavra, que Ele tem agido no momento necessário com milagres extraordinários.

    Mas neste momento, Moisés entra no piloto automático e coloca em ação também o deus impostor que ele estava servindo (v. 10-11), um deus que Moisés achou que poderia mudar seus planos e fazer sua própria vontade. Ele bate na rocha ao invés de falar, ele diz que ele vai tirar água da rocha e não Deus. Ele consultou a Deus, teve uma orientação e fez outra coisa, pois estava irado. Moisés achou que estava muito poderoso e se tornou o seu próprio deus, fez sua própria vontade, o que lhe parecia melhor. 

    A água saiu da rocha porque o Deus verdadeiro não se molda de acordo com o nosso deus impostor, com aquilo que achamos que ele se comprometeu a fazer,  ou de acordo com as circunstâncias, ele não é manipulável, mas é misericordioso e tem compromisso com sua própria fidelidade. Pois ele estava cumprindo a sua promessa e mostrando que Ele é imutável e fiel. Para Moisés, a resposta divina foi mais dura. Não houve acordo, Moisés não entrou na terra prometida.

    Que a Palavra interiorize em nós o conhecimento de quem este Deus verdadeiramente é, não criando ilusões de quem é nosso Senhor ou fazendo nosso ego de nosso próprio deus. Que nos momentos de dificuldade possamos dizer: eu não sei o que Você está fazendo, mas eu sei quem Você é e isso é suficiente para eu poder descansar.  

"Toda espera faz sentido se não busco a certeza do que não sei, do eu que não sou, não quero ser, nem posso ser, Você... E o que eu sei, é que eu não sou, graças a Deus, Deus!" (Felipe Valente e Estevão Queiroga - música: Eu Sou Quem Sou)


O impostor que desiste de ser impostor - Sl. 32

     Nos versos 1 e 2, o salmista Davi reconhece o quanto ele mau é reforça isso de três formas: se referindo às sua atitudes como maldade, pecado e coisas más. No entanto, ele também ressalta o amor e misericórdia de Deus se manifestando de três formas: Ele perdoa, apaga nossos erros e não nos acusa. Enquanto temos dificuldade de perdoar até mesmo aqueles que vivem pouco conosco e conhecemos pouco seus pecados; Deus nos perdoa mesmo nos vendo 24 horas por dia, vendo cada pecado que até nós mesmos não percebemos. O salmista Davi começa falando da felicidade de saber que somos perdoados, mesmo sabendo que somos maus por natureza.

   Nos versos 3 e 4, vemos as consequência emocionais e até mesmo físicas de não confessarmos nosso pecado a Deus. Tentar enganar a Deus e viver  como um impostor sempre será um fardo pesado de mais para nós e Deus não quer que vivamos assim. Por isso...

5:... o divisor de águas na vida de Davi foi ele ter se confessado a Deus, ele se sentiu leve e livre. Davi confessou, entregou os seus pecados, entregou a Deus aquilo que ele não era, ele admitiu que ele tinha plena consciência que de ele não era bom e suas inclinações naturais são para o mal. E Deus o perdoou... e Deus faz muito mais que receber aquilo que entregamos a Ele...

8-10:... Deus recebe os erros que entregamos a ele, as máscaras que retiramos, e diz que vai nos ensinar o caminho certo, guiar e orientar, estar presente, se relacionando conosco, com o nosso verdadeiro eu. Ou seja, ao abrir mão de nós mesmos, reconhecendo que somos incapazes de ser bons, Deus agora nos permite nos relacionar com Ele. Pois aqueles que confiam em Deus, e abandonam sua vida impostora, sabem que são amados em qualquer situação e lugar.

   Vimos Pedro, Elias, Moisés e Davi, vestindo seus trajes de impostor para se relacionar com Deus, vemos vários personagens bíblicos errarem, alcançarem perdão e amadurecerem em sua vivência com o Pai quando abrem mão de si mesmo e de seus ídolos. Porque este evangelho de salvação nos limpa e nos transforma, ser impostor não nos agrada, não nos faz bem. Aqueles homens e nós somos todos seres humanos ávidos a vestir uma máscara, tentado ser o que não somos, porém o tratamento amoroso e misericordioso dado a Deus para eles também se estende a nós atualmente, não há motivo para vivermos como impostores, mas deixemos a verdade verdadeiramente nos libertar!





sábado, 25 de junho de 2016

Perseguição cristã brasileira



     Há um tempo venho remoendo este assunto, porque existe perseguição cristã em vários países, perseguição nível hard mesmo em, pelo menos, 50 países, onde os professos do cristianismo são impedidos de exercer seu direitos civis, são mortos, torturados, tanto por iniciativas governamentais, quanto por grupos religiosos extremistas. Entre no site do Portas Abertas clicando aqui, e veja o perfil dos 50 países que direta ou indiretamente, por força de lei ou por criar ambientes hostis, perseguem cristão.

    Mas e no  Brasil, existe perseguição?

   Na pequena escala, vemos "cristãos" que fazem tanta coisa errada em seu trabalho, na escola, em seus círculos sociais, dão um tremendo mal testemunho e quando são contrariados, ou sofrem alguma represália até justificadamente, eles já se classificam no grupo dos maiores sofredores e perseguidos do universo: "isso só acontece porque eu sou crente e o diabo quer me derrubar", "tudo um bando de usado pelo capeta as pessoas que vão contra mim". Chega a ser cômico se não fosse trágico.

    Na escala maior, percebida na internet, esta terra de ninguém cheia de pessoas ávidas em dar suas opiniões e militar uma causa, fazer correntes, criar #hashtags, a coisa ganha uma proporção tamanha que fica complicado dizer o que de fato é perseguição ou não. Mas ainda sim, ela existe. E existe "cristão ecumênico' que abraçou todas as pautas populares do momento, colou Deus é amor na testa e também está perseguindo a opinião de outros cristãos considerados fundamentalistas. Existe cristão mente fechada? Existe! Mas também tem cristão tão mente aberta que o cérebro já esta caindo da cabeça (G. K. Chesterton).

      Não agradaremos todo mundo, essa não é a questão, mas nossas palavras são deturpadas o tempo todo, buscando um significado em cada entrelinha e enxergando discurso de ódio em tudo. As pessoas reclamam dos esteriótipos sociais, mas conhecem o cristianismo baseado em programas de Tv e na bancada evangélica.
    A pluralidade é linda só que dentro do universo em que singularmente determinam o que é plural, a tolerância é libertadora somente dentro do grupo dos que pensam igual. E os cristãos definitivamente não são dignos de entrar no campo das possibilidades ou do livre pensamento.
   Mas sabemos que este é o rumo que as coisa tomarão, a verdade das Escrituras incomodará pelo simples fato de existir e ser pregada, mesmo que ela não force ninguém a fazer nada. Por isso, essas questões serão recorrentes nas discussões, e a tendência é as opiniões se acirrarem cada vez mais.
      Nossa missão é pregar a verdade com amor, é amar sem perder o foco na Verdade, sem deixar as circunstâncias mudarem o nosso discurso bíblico, o que nos leva a negar a Deus com nossas atitudes e palavras, mesmo que sem fazer isso claramente ou abertamente. Nossa missão é perdoar quantas vezes forem necessárias, amar e se doar mesmo sendo ofendidos por aqueles que dizem que nosso discurso é de ódio enquanto eles é que nos odeiam, mesmo sem se darem conta, porque odeiam Aquele que nos enviou. E, além disso, devemos saber que não há exatamente nenhum mérito em nós por agirmos assim, pois (cito agora uma reflexão que vi no facebook),  mesmo que nossos pecados nos diferenciem moral e socialmente, eles nos tornam igualmente merecedores de morte. Não uma morte provocada por outra pessoa ou um sistema. Mas uma morte para qual nós mesmos caminhamos com os próprios pés, por ofender ao Deus do universo, descumprindo sua Lei, seja ela qual for, TODOS NÓS merecemos morrer eternamente. Mas em Cristo, Deus dá vida - e vida eterna - a todos os pecadores que se rendem a ele. Vida essa que eu e todo bom cristão deseja aos homossexuais e a todo tipo de pecador como nós. Desejamos uma vida plena e cheia de oportunidades e que essas oportunidades conduzam a Cristo, pois acreditamos que essa é a única vida que valha a pena.

   Não podemos classificar este tipo de perseguição em uma escala comparável a de nossos irmãos mundo a fora, entretanto esta perseguição se intensificará ao mesmo tempo que ela é gradual e mais sorrateira, como na história da rã que é aquecida aos poucos na água e não percebe que está rumando para a morte. Esta perseguição que está mais no campo do convívio social do que oferecendo risco iminente a nossa vida no momento, separará o trigo do joio, selecionando-nos no que diz respeito a nossa vaidade de ser queridos por todos e não se indispor com ninguém, se amamos mais a Deus ou amamos mais ser amados por todos, tentando ser ecu
mênicos em todas as nossas opiniões. Se amamos ao próximo como a nós mesmo, escolhendo dizer a verdade que conduz a verdadeira vida ou ao convício tranquilo sem nunca apresentar a verdade incômoda mas libertadora do evangelho a todos que passam por nosso caminho. 


    Está é uma série de postagens sobre meus posicionamentos, que vão inevitavelmente me render alguns desafetos, não importa o quanto eu continue amando igual, agindo igual, nada será igual em um mundo que caminha para o mal e, por isso, a realidade do evangelho será cada vez mais inconveniente.




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A pesca milagrosa e o motivo de seguirmos a Jesus

(Imagem: pintura de Rafael Sanzio Pesca Milagrosa, 1515/16 - no V&A, em Londres)
  
   Recentemente, em minha leitura anual (que já está dando mais de um ano!), passei pelo livro de Lucas, mais especificamente pela passagem que fala de uma pesca milagrosa (5.1-11).
    Parei para refletir um pouco mais sobre este texto, tive a oportunidade de compartilhar esta reflexão com alguns irmãos e agora compartilho com vocês, meus outros irmãos de vários lugares <3.
     Nesta história, a praia estava lotada de pessoas querendo ouvir Jesus, então Ele entra no barco, que era de Pedro, para ensinar a multidão. Após dar seus ensinamentos, Jesus diz ao pescador Pedro que lançasse sua rede ao mar, Pedro alerta que já havia exaustivamente tentado e nada havia pescado mas que mesmo assim tentaria mais uma vez, e claro que o resultado não poderia ser outro, as redes rompiam de tantos peixes! Imediatamente, Pedro se prostrou em reverência a Jesus, sabendo que aquele homem era santo demais para aquele pobre pecador, Jesus comissiona ali a Pedro, João e Tiago (filhos de Zebedeu), para serem pescadores de homens e este deixam tudo para seguir ao Mestre.
    O que me chamou bastante atenção nessa história que já li tantas vezes? Bom, os discípulos ao seguirem Jesus sabiam que Ele era o filho de Deus, o próprio Deus encarnado, mesmo não entendendo muito bem onde seria seu reino (até mesmo após a ressurreição de Jesus, eles se perguntavam se Jesus restauraria o reino de Israel em breve - At. 1.6). Então, mesmo considerando que eles poderiam estar pensando que Jesus seria o Messias, que naquele momento traria o reino terreno de Israel, me admira a atitude de abandonar tudo por Cristo.

      Em toda história do cristianismo, houveram pessoas interesseiras fingindo ou achando que estavam servindo a Cristo, não sei se isso ocorre mais nos tempos atuais ou simplesmente vemos mais isso hoje devido aos meios de comunicação amplos que temos. Não é errado achegar-se a Cristo devido a algum dificuldade que estamos passando, o problema é permanecer com Cristo pelo que ele pode nos oferecer. Estes discípulos, donos de suas pequenas empresas familiares de pesca, viram um milagre formidável e poderiam pensar: "seguir esse Jesus vai render bons lucros para a nossa empresa, quero Jesus sempre no meu barco!", mas não, tiveram a reação totalmente oposta, a de largar tudo por entender que o que Jesus tinha a oferecer era algo bem maior (talvez, ainda, na cabeça deles, algo que beneficiaria a nação de Israel como um todo). Pedro ao se deparar com tamanho poder, só pode olhar para si mesmo e pensar o quanto ele era pecador e indigno de estar na presença de Jesus.

   Mas não estamos longe das situações demonstradas nos grandes shows da fé, barganhamos com Deus diariamente na pequena escala, vemos nele somente a nossa muleta e nosso escape para qualquer dor de barriga. Mas graças a Deus que nos deixou sua Palavra para nos ensinar a colocar o nosso coração naquilo que é duradouro, naquilo que cultivamos para a eternidade, na pesca que realmente interessa (a de vidas!), para a expansão do reino através do nosso trabalho com Cristo, olhando para o seu poder e misericórdia e percebendo cada vez mais que não merecemos nada que temos, mas somente somos alvos do seu favor imerecido.



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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A gente entrega e Ele reparte



    Lendo o milagre da multiplicação dos pães em Lucas 9. 12-17, que também aparece nos outros três evangelhos, parei para refletir sobre Jesus ser o Senhor dos milagres diários em nossas vidas, pois temos muito pouco ou nada para entregar para Ele. O que Ele faz por nós e em nós é por pura graça! E pensei sobre várias aplicações possíveis em que entregamos tão pouco e isso se reflete em algo maior. 

   Não podemos esperar ter mais tempo dedicado para Deus, momentos de oração e leitura da Palavra, entregamos nosso pouco tempo para Ele, com continuidade, e Ele fará o milagre nesse pouco sobre a nossa vida. Não podemos esperar ter mais tempo para dedicar a igreja ou outras atividades voluntárias, ou para participar da vida das pessoas e nossos familiares, dedicamos o tempo que temos com sacrifício, claro, afinal o mundo jaz no maligno e cada vez mais seremos engolidos pelas tarefas diárias, vencer essa barreira é nosso desafio atual e urgente! 
 
    Não podemos esperar ter mais dinheiro para doar nos trabalhos da igreja, missões, projetos sociais, claro que precisamos saber administrar melhor nossas finanças, baixar a bola do consumismo, saber matar nossos desejos egoístas, saber poupar, e ainda que pouco, podemos ter a certeza que damos aquilo que podemos e Cristo repartirá e multiplicará, pois é o Espírito Santo que opera em nós e nos motiva a doar. Se para nós está difícil, imagina para quem depende das cestas básicas da igreja, se nossas contas aumentam, imagine as contas da igreja que caem sobre a responsabilidade do pastor.

    Tudo isso nos ensina que não devemos esperar ter mais para dar algo porque provavelmente passaremos a vida toda sem dar nada para ninguém, nem para Deus. Jesus é caminho e nosso aprendizado é enquanto caminhamos, assim nosso aprendizado de doação ocorre enquanto doamos. Também nos ensina a fazer a nossa parte e deixar Deus fazer a Dele, mas também nos adverte que Deus sabe exatamente quando entregamos aquilo que podemos.

   Entreguemos a Ele nosso pouco tempo, nosso pouco dinheiro, nosso pouco amor, nossa dificuldade de perdoar, o pouco que há em nós de coragem e deixemos que Ele reparta e multiplique. Este milagre foi feito no contexto da multidão e para a multidão, num contexto de coletividade, onde alguém teve que estar disposto a compartilhar seu lanche. Que haja em nós disposição para doar o pouco que as pessoas precisam sendo guiados por Cristo porque assim, o que temos a entregar sempre será suficiente, porque é suficiente aquele que habita em nós!



sexta-feira, 31 de julho de 2015

Ana, a Bíblia e a Sustentabilidade


(Vista das Dunas de Marapé, Maceió - AL)

    Existem duas coisas que eu mais gosto de falar nesse mundo: de Bíblia e sobre as questões ambientais, mas eu não iria criar um blog somente para tratar das questões ambientais, este aqui já me demanda muito tempo, então  eu vou criar uma sessão para este assunto aqui no Blog (quando eu aprender a fazer abas de Menu!) para compartilhar minhas experiências nesta área e mostrar para vocês como tem tudo a ver, porque, sério... tem tudo a ver!



"Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo." Romanos 8:19-23



    O pecado alterou nossa relação com a criação  e ela também espera ser redimida  por Cristo, por isso uma vez que aceitamos a Jesus, entendemos toda transformação que isso significa em nossa forma de nos relacionarmos com o mundo. Deus disse que cultivássemos (desenvolvesse) e cuidadessemos (sustentabilidade) do jardim (Gn. 2.15), nos mostrando o modelo de convivência saudável que deveríamos expandir a partir do Jardim. Sabendo que somos mordomos de Deus, nada aqui é nosso e vamos prestar conta deste talento (riqueza) que Ele nos deixou. Deus se preocupa com sua criação conforme bastante embasado biblicamente no post Deus é verde. Estamos em busca de ser uma igreja ecocidadã, uma igreja comprometida com todos os aspectos da vida humana, por uma igreja que se compreende como despenseira de Deus, ministrando ao mundo o que ele precisa através de Cristo.

   Eu percebo que começar a entender as questões ambientais traz uma revolução de mente que abrange muitas áreas, nós acabamos relacionando muitas coisas, passamos a perceber como a questões ambientais envolvem nossa saúde física e mental e preocupações sociais. Passamos a reavaliar nossas relações com o consumo, a comida, o lixo, com as pessoas, com Deus e sua criação. Cito algumas possíveis reflexões sobre esses temas:


  • Consumo: eu preciso disso por quê? Eu acredito que nisso está a minha felicidade? Eu tenho porque os outros têm? Eu tenho porque é caro, e caro é sinônimo de bom? Quando eu consumo eu considero a possibilidade de trabalho escravo ou danos ambientais dos produtos? Eu sei como descartar corretamente o lixo gerado pelo meu consumo?
  • Alimentação: O que significa cozinhar para minha família e para amigos, alimentá-los? Qual o grau de processamento/industrialização dos meus alimentos? Quais os nutrientes, sódio, valor calórico, quantidade, qualidade, o colorido da minha comida? Como minha comida é produzida? Tem pesticidas, adubos químicos, corantes, aromatizantes e conservantes? Eu sei os danos que certas comidas podem causar a minha saúde?
  • Lixo: o que é mesmo lixo? O que é jogar fora se tudo fica dentro do planeta? Eu me considero responsável pelo lixo que produzo? Compro pensando no lixo que vou gerar? Sei descartar o lixo de forma correta?
  • Paisagem: o que significa uma bela paisagem para mim, quais componentes ela deve ter? Percebemos que estamos cada vez mais nos distanciando das paisagens naturais, seus aprendizados e benefícios, nos centros urbanos?
  • Pessoas: Sabemos que nosso lixo pode afetar outras vidas, populações muitas vezes distantes de nós? Sabemos que nosso consumo pode vir de trabalho escravo? Ou a produção de nossos produtos está causando degradação ambiental, diminuindo os recursos ambientais de outras pessoas, tais como a água?
  • Animais urbanos: Entendemos que os problemas relacionadas a pragas urbanas ocorrem por causa do nosso lixo disposto incorretamente? Sabia que a quantidade de animais domésticos são consequência de abandono e negligência na castração? Já paramos para pensar que a compra e venda de animais alimenta uma indústria de criação  que muitas vezes é nefasta! Péssimas condições de reprodução; inseminação artificial cruel visando aumento da produção; animais que não são vendidos, as vezes, são praticamente abandonas sem comida e água. Não estou falando só de cachorros e gatos, mas de todos os animais (hamisters, coelhos, saguis, aves, etc.)  que viraram uma demanda das pessoas não sei nem porquê!
  • Deus: Nossa forma de tratar o mundo reflete nosso amor a Deus e se o amor Dele está em nós manifesto. De fato, ser cristão não é fácil e cada vez mais vemos a complexidade daquilo que temos que levar em consideração para ter uma vida piedosa e praticante de um evangelho transformador. 

   Ore pelo seu planeta, ensine as novas gerações, busque paz e comunhão com a criação, viaje e descubra paisagens e agradeça a Deus por ele nos trazer tanta beleza e equilíbrio em nossa vida!






quarta-feira, 15 de julho de 2015

Feminismo cristão?


    Este á mais um post como o da Hierarquia da igreja, um assunto complexo que eu ainda não consegui analisar e explicar tudo, mas acredito que podemos estabelecer algumas pressupostos para lermos algumas passagens um pouco menos com o viés de que a Bíblia, não somente valida como incentiva a uma conduta machista. 
   Nosso foco aqui será sobre o ministério feminino, a mulher no lar cristão e a questão da submissão, e um pouco sobre como encaramos, sendo cristãos, algumas questões que afligem a mulher em nossa sociedade sob uma ótica ainda machista. Não posso me aprofundar muito fora disso, correndo o risco de ficar uma discussão muito mais rasa do que o que eu já esperava.

   É triste, mas infelizmente precisam haver grupos para defender óbvio (os direitos básicos, de grupos pequenos ou grandes, que foram ao longo dos anos usurpados), por isso, eu acho o feminismo muito necessário para nos levar a pensar muitas de nossas ações que vão desde "mulheres levam um pratinho de doce ou salgado e homens levam a bebida" até "mulher que se veste com trajes curtos merece ser estuprada (e se for feia então, terão lhe feito um favor!)." Existem exageros tanto do lado feminista quanto do lado "não tem nada a ver, é tudo mi mi mi", mas onde há muita água fervendo por séculos, há muito gato escaldado com medo de água fria, ou seja, as mulheres foram e são tão abusadas em nossa sociedade que fica difícil não ter um pé atrás nas situações cotidianas.

   No meio cristão, muitas dessas dificuldades ainda permanecem por falta de esclarecimentos sobre o que é exatamente a submissão, o que abrange o ministério feminino, sendo tudo isso relacionado a noção teológica da feminilidade e da masculinidade na igreja e no lar, levando a sérios problemas de relacionamento em ambos os lugares.

Abre parênteses ...
    Sem forçar a barra, caindo no reducionismo das diferenças entre homens e mulheres, não podemos negar que somos diferentes, caso você não creia no criacionismo, entendendo que Deus nos fez diferentes e complementares, poderá acreditar nos processos evolutivos que nos levaram a dividir tarefas com nossos parceiros, fazendo-nos diferentes muito em função da capacidade feminina de gerar filhos e ter que amamentá-los por um longo período, com toda estrutura fisiológica/psíquica que isso acarreta para a proteção da espécie. Claro que não vivemos mais nas cavernas, no decorrer do desenvolvimento das sociedades as tarefas foram mudando de mais ligadas a força para tarefas ligadas cada vez mais ao intelecto, a busca pelo alimento está mais facilitada, a expectativa de vida aumentou, o cuidado com a saúde ficou mais acessível, as possibilidades são bem mais amplas, hoje ambos os sexos são provedores de sustento, ambos podem levar o filho ao médico, ambos arrumam a casa, a organização social mudou, as atividades cotidianas que constroem uma família equilibrada mudaram, será que não conseguimos dar conta da mudança mantendo o papel bíblico/teológico do homem e da mulher? Penso eu, que esses papéis estão mais associados a vida espiritual da família do que as atividades cotidianas, repito penso eu. Fecha parênteses

    Tendo essa introdução em mente e lembrando que a Bíblia tem que ser nossa base para tudo, não a cultura ou a conveniência, vamos falar um pouco sobre a mulher e sua função no lar, segundo a Bíblia, vendo o famoso texto de Pv. 31.

A mulher de Provérbios 31

    Se pararmos para olhar as tarefas da mulher virtuosa de Provérbios 31 (v.10-31), veremos como esta mulher tem autonomia para desempenhar várias funções:


  • v. 10: Ela é a riqueza de seu marido, tê-la é melhor do que pedras preciosas. 
  • v. 11: Tem um marido que confia nela e não é um dominador.
  • v. 12 e 20: Ela é bondosa, generosa e cuida do necessitado. 
  • v. 13, 14, 16-19, 24: Tem um trabalho que lhe gera renda e é boa no que faz. Toma decisões importantes como de adquirir propriedades e investir em novas formas de renda. 
  • v. 15: Embora tenha empregadas, ou seja, não é obrigada a fazer as tarefas de casa sozinha, mas no que se trata de alimentar os seu familiares ela o faz, alimentação é amor e cuidado.
  • v. 17 e 25: Ela é forte fisicamente. Ela é digna por si mesma e é reconhecida pelos de sua casa.
  • v.22: Veste-se com qualidade.
  • v. 23: Faz parte do motivo pelo qual seu marido é honrado na cidade. 
  • v. 26: Ela FALA com sabedoria. 
  • v. 27: Ela dá o andamento de sua casa.
  • v. 28: Ela merece ser reconhecida por tudo que ela é e faz.

    Creio que aqui mostra bem claramente o ser mulher em uma sociedade já bem moderna. Não me parece aqui que está mulher está numa posição inferior ou seja subjugada por seu marido. Mas o texto diz que esta mulher dinâmica é cheia de virtudes e o marido está feliz em ela ser assim, suas qualidades são exaltadas e não sua aparência. 
   No Novo Testamento também vemos mulheres comerciantes como Lídia, e mulheres que financiavam a obra de Jesus com seus próprio bens, isso mostra bastante independência financeira para fazer o que queriam com suas posses. 
    No que se trata de tarefas domésticas não existe tarefa de mulher e tarefa de homem. No que se trata da educação dos filhos, cuidar de sua saúde e necessidades, também não existe tarefa de pai e tarefa de mãe, ambos devem se organizar de acordo com as possibilidades do casal e em amor, fazer o lar funcionar da forma mais adequada e saudável para todos.
    
    Assim como na questão da escravidão, Deus jamais concordou com a postura de inferiorizar a mulher, bem como também com a poligamia masculina. Deus pode fazer o que ele quiser, mas preferiu agir de forma a tolerar certas práticas e regrar a conduta do povo de Israel que era influenciado pelas demais culturas, onde viviam num contexto nada favorável humanitariamente, de forma que este povo fosse diferenciado (alguns rituais buscavam principalmente diferenciar as práticas dos povos pagãos),  preservando o povo que traria o Messias, em meio as demais nações. Revelando progressivamente e em vários exemplos o caráter de Deus e sua justiça. O fato da Bíblia relatar algo não significa que ela está prescrevendo esta conduta, além disso, mesmo em meio a uma sociedade machista, vemos mulheres que foram tratadas com muito respeito como Sara, Débora, Ester, Rute, as filhas de Zelofeade (Nm 27) e encontramos comandos bíblicos onde os filhos devem dar a mesma honra ao pai e a mãe. A Bíblia nos ensina a ser agentes de mudança local em meio a um sistema corrupto, podemos lutar e nos organizar para a mudança, mas enquanto as coisas não mudam faremos o nosso melhor no percurso, aplicando a regra de amar ao próximo como a nós mesmo e que diante de Deus somos todos iguais. A questão da escravidão é outro assunto polêmico que pretendo escrever em outra oportunidade. Mas, sejamos claro, pessoas se valendo de casos específicos da lei, da situação, etc., para justificar sua conduta errada não é um benefício só de quem segue a Bíblia!

     Vale lembrar que o pecado também afetou nossa relação mulher-homem, pois, PARA MIM, não é a toa que uma das sentenças da Eva foi: "o seu desejo será para o seu marido e ele te dominará" (Gn. 3.16), ou seja, parece que não havia esta tensão antes. A mulher sempre esteve sob a liderança de seu marido, mas, por exemplo, tinha alimento fácil retirado do jardim, a terra era abundante, não havia preocupação com segurança, etc. Com o pecado, provavelmente, Eva tornou-se quase que dependente de Adão para a sobrevivência, isso afetou nossa relação de casal e distorceu como um reconhecia o outro em seu papel e suas necessidades. A submissão e liderança que eram equilibradas no jardim, com o pecado e as sentenças para o homem e para a mulher tornaram-se em opressão, em um fardo para ambos. Assim como cuidar da terra e retirar seus sustento era algo fácil no jardim e se tornou um trabalho penoso fora dele.

     Parece-me, que no jardim, as personalidades haviam se revelado: Eva tomou uma decisão sozinha, quis ser independente, e sozinha se tornou influenciável, pecou e manipulou seu marido para que ele errasse também. Será que foi pura coincidência a serpente ter ido até Eva?! Sei, não. Adão estava ausente, ele se omite, Adão não assumiu sua responsabilidade como protetor de Eva e do direcionamento da família, simplesmente comeu do fruto sem nem questionar, e nem assumiu sua parcela de culpa, colocando a culpa em Eva e em Deus que a havia formado! Adão não defendeu Eva, não deu sua vida por Eva, que foi o que o segundo Adão (Cristo) fez por sua nova Eva (Igreja). A queda teve um dimensão feminina (busca pela independência, ser feliz sozinha) e e um dimensão masculina (deixar sua liderança natural e não querer sacrificar-se pela sua mulher). Por isso, mesmo sendo uma só carne, moralmente iguais perante Deus, embora diferentes em função, sendo a mulher a primeira a comer do fruto, ainda sim,  Deus responsabilizou a Adão pela ingestão do fruto proibido. Deus escolheu a figura masculina, Adão como representante da humanidade, dando-o uma posição de governo espiritual na comunidade local que se formaria no jardim e povoaria a terra.

     Entretanto sabemos que nada disso pegou de surpresa a Deus, Jesus já estava crucificado desde antes da fundação do mundo e só valeu a pena fazer o mundo porque este fato estava consumado. Segundo Jonh Piper, quando Deus planejou criar o ser humano em duas variedades, homem e mulher, ele já tinha em mente a cruz (Ef. 5.31-32). O casamento, nessa dinâmica de liderança e submissão, foi feito para demonstrar o amor fiel de Cristo e sua igreja e estes papéis não são intercambiáveis como igreja e Cristo não o são. Os homens recebem o maior fardo e responsabilidade, e responderão a Deus por esta liderança, que é o chamado para assumir a responsabilidade primária pelo direcionamento servil da família como o de Cristo, proteção, doação, serviço e provisão do lar (ainda que EU não entenda provisão do lar como ter o maior salário). Submissão é o chamado divino para uma esposa  honrar e afirmar a liderança de seu marido e ajudá-lo a executá-la de acordo com seus dons. Fato é que existem mulheres mais dinâmicas e inteligentes que seus cônjuges, mas estas habilidades devem servir para estimular a liderança de seus esposos. Isso não quer dizer, em hipótese nenhuma, anular-se, anular-se em suas habilidades é insubmissão, uma vez que ela não exerce seu papel de auxiliadora. Como ajudadoras, devemos insistir com amor e paciência quando sabemos que nossos maridos estão errados e sua má liderança pode prejudicar toda família. Deus quer que aprendamos a não tomar decisões sozinhas e a não subjugar nossos maridos, enquanto eles aprendam a liderar sem nos subjugar. 


    Aqui cabe uma ressalva para quem quer permanecer solteiro, como Paulo mesmo sugere para quem tem essa disposição, pois, ainda citando Jonh Piper, existem verdades  sobre Cristo e seu reino que podem ser melhor demonstrado através da feminilidade e masculinidade no celibato do que no casamento, uma delas é que a família de Deus cresce por regeneração pela fé e não mais pela geração através da reprodução; isso também demostra que relacionamentos em Cristo são mais fortes que relacionamentos em família, e que casamentos são passageiros, são um figura do relacionamento com a igreja e no céu nosso casamento será apenas com Cristo.

     O teólogo Guilherme de Carvalho nos dá um entendimento muito interessante dessa dinâmica homem-mulher, Cristo-Igreja, através de Efésios 5. O homem como representante de Cristo, tem a potência da dominação, porém ele a sacrifica pela sua mulher, então a sexualidade passa de uma imitação do que existe no mundo animal para ser um a representação do que Deus é. A mulher, a feminilidade, sacrifica a sua autonomia, é forte, tem personalidade e sacrifica-se submetendo-se ao homem, homem e mulher respectivamente representam a atividade passiva e a passividade ativa, sendo muito mais do que macho e fêmea. E isso leva há resistências, há tensão e isso faz parte, homens de verdade e mulheres de verdade, sacrificam-se para o casamento, igualmente, e isso não é fácil. Isso torna essa relação bela e faz com que tenha que haver mais que afetividade para dar certo. Atividade passiva é atitude de auto esquecimento, de auto doação porque já se é pleno, a masculinidade representa o aspecto de Deus que é sua excentricidade, se esquece de si, não precisa se ocupar de si mesmo. A satisfação em Deus faz com que não se relaciona com os outros para usá-los, mas para servir aos outros, amor agápico é derramamento.  O homem e a mulher não se constituem sozinhos (1 Co 11.7-12). O masculino é constituído no interesse pelo feminino, de protegê-lo, o poder masculino está em fazer a mulher gloriosa e santificada, potencializar suas habilidades, de fazê-la semelhante. (Ef. 4-10-16). O homem aprende a exercer sua masculinidade com sua mulher, primeiramente com sua mãe e depois com sua esposa, e assim ele demonstra essa masculinidade a todos.
       
     Não sou inocente de dizer que este equilíbrio é simples de atingir, existem homens muito omissos em suas responsabilidades e, no outro extremo, homens extremamente opressores que confundem a autoridade que não vem deles mesmos, mas é investida por Deus, com aquele que manda mais e é melhor que o outro. E também existem mulheres opressoras, que humilham seus maridos por se sentirem mais capazes do que eles em todos os aspectos. Casamento é um exercício que exige firmeza e muita humildade. 
     Para mim há um mistério muito necessário nessa condição, onde ambos aprendemos a ser humildes e a cumprir nossos papéis. E se ainda te doer e você não gostar muito dessa conclusão, lembre da Trindade, que ela é nosso modelo familiar, todos tem seu papel, um não quer ser o outro, não há relação dominador-dominado, e os três são um Deus e ainda em 1 Co. 11.3 diz que Deus é o cabeça de Cristo, logo vemos que ser cabeça está ANOS-LUZ de qualquer significado depreciativo tanto de Cristo, quanto da mulher. Quando me dá um certo pane, eu penso na Trindade e fica tudo numa boa!


Mulher e o ministério pastoral

    Aqui é onde a polêmica pega fogo!

   Na igreja, temos um problema fundamental que soma-se e pode dar a impressão que a mulher, caso não possa exercer cargo pastoral, seja tratada como menos importante, que é a hierarquização dos serviços eclesiásticos, ainda existem ministérios melhores do que outros, o pastorado parece uma função superior que as demais (nem entremos no mérito do apostolado!). Então, irmãos, que fique claro, não existe ministério melhor que o outro, são funções diferentes onde todos se sujeitam em amor. Nosso respeito pelo outro advém do fato que somos todos irmãos e não dos cargos. Embora, a Bíblia sempre nos lembra que os pastores/bispos/presbíteros (que são referências para o mesmo serviço) são pessoas que se dispuseram a gastar suas vidas para cuidar de outras vidas e isso é louvável, enquanto é exatamente isso que eles estão fazendo! Toda autoridade que venha a existir em nós é investida por Deus, e dura somente enquanto mantemos nossa lealdade as Escrituras. Cada um respeita o serviço que o outro presta para Deus, sabendo que são responsabilidades diferentes com cobranças diferentes e a igreja precisa de mais pessoas que queiram sair da zona de só ter dom de línguas (pela facilidade), cantar (pela visibilidade) ou ter dom de pastor (pela autoridade)! Diversidade, meus caros!! Enfim...


    Tendo em vista a igualdade de funções em uma igreja, eu não tenho dificuldade alguma em crer que Deus separou funções especificas para homens e mulheres baseado nas características que ele deu a cada um de nós. E já jogo a bomba: como equacionar uma mulher que em casa é submissa a seu marido e na igreja o marido é submisso porque ela é a pastora? Talvez, a solução é os dois pastorearem? Olha, se você não sabe, estamos no mesmo barco, porque existem pastoras que fazem um trabalho muito bom, mas na Bíblia... na Bíblia mesmo... eu tendo achar que este serviço eclesiástico é só para os homens. Agora é a hora que eu perco as últimas amizades que eu ainda não tinha perdido na primeira parte desta postagem ='(. Vamos com calma, esta postagem tem muita informação, leia com calma, reflita, ore e comente com muita moderação na emoção! Estamos aqui para aprender juntos!

    Vemos mulheres que protagonizam papéis importantes na história do cristianismo e Jesus resgata esse valor da mulher na sociedade ao tratá-las com igualdade.  Mas nunca vimos mulheres com cargos de governo na igreja. Jesus foi tão revolucionário em tantas questões porque ele não colocaria nem uma apostola? Além disso, os pré-requisitos para um presbítero sempre estão associados a homens (marido de uma só mulher e que governe seu bem o seu próprio lar... 1Tm. 3.2,12; Tt. 1.6)
Então, assim como mulheres mais dinâmicas e inteligentes usam suas habilidade para honrar a liderança dos maridos, as mulheres com visão pastoral e habilidades de liderança e ensino, utilizem seus dons de acordo com as possibilidade bíblicas. A Bíblia tem que validar a experiência e não a experiência validar a Bíblia.

    Nós mulheres somos maior número em praticamente todas as igrejas evangélicas, a mão de obra sempre foi escassa, é natural que fossemos incorporadas as mais diversas funções nas igrejas, mas penso se isso não fere aquilo que Deus quer mostrar da relação de liderança e submissão, masculinidade e feminilidade, Cristo e igreja. Em 1 Co. 11 vemos Paulo dando um argumento baseado na Trindade e não cultural para as funções do homem e da mulher, vendo na sequência da criação do homem e da mulher já uma pré disposição divina no que diz respeito aos papéis que o homem e a mulher iriam exercer no casamento e na igreja. Coisa que não ocorre na questão do ensino do véu (falado no mesmo capítulo), por exemplo, o véu era somente a forma como as igrejas gregas demonstravam essa relação de submissão (então aqui estamos falando de algo cultural).

    
     O resgate da feminilidade precisou ser duramente cobrada e ensinada na 1ª carta de Paulo a Timóteo no capítulo 2, se para os padrões da época e local estas instruções já soavam um tanto agressivas imagine para nós hoje? Mas vamos entender um pouco do contexto em que Timóteo foi líder da igreja em Éfeso. Éfeso era o centro de adoração da deusa Ártemis, ou Diana, neste culto as mulheres protagonizavam os rituais como prostitutas cultuais ou virgens com funções sacerdotais. Quando o evangelho chega nessa região e as mulheres oriundas dessas práticas se convertem, Paulo precisa reconstruir a relação do homem e da mulher no culto, e ensinar inclusive o Antigo Testamento. Paulo, então, fala de exageros na preocupação com a aparência das mulheres cristãs no culto que ainda poderiam estar querendo demonstrar a busca pelo poder e reconhecimento pelos motivos errados, herança das atividades femininas nos cultos pagãos já citados. Numa declaração oficiosa, sobre o culto público, o apóstolo quer retomar o sentido espiritual do ser homem e mulher no culto e, para começar, manda a mulher daquela cultura a se calar demonstrando que primeiro ela precisa aprender sobre a criação, a queda e a redenção e como isso se aplica a mulher. Mulher e homem precisam entender a dimensão feminina e masculina da queda, e entregar sua feminilidade e masculinidade a Deus, compreender o  mistério da submissão e liderança, passividade ativa e atividade passiva que a regeneração nos traz e isso não estava ocorrendo em Éfeso, como não ocorre em nossa sociedade moderna.

     Creio que a parte que mais incomoda neste texto (porque incomodou a mim) é a parte que diz que a mulher será salva/preservada dando a luz filhos. Ora, porque? Porque no fundo desprezamos a missão maternal, não achamos honrosa, não parece suficiente diante de tantas outras possibilidades que a vida nos oferece, diante de tantas outros prazeres que o nosso corpo pode nos dar. A maternidade foi necessária para salvar o mundo, Maria entregou sua semente a Deus, coisa que Eva não fez. Deus derrotou Satanás aonde ele atacou, ele vai cair por meio da mulher que ele humilhou, por meio da maternidade que ele humilhou. Aqui Paulo disciplina não somente a forma como o ventre era usado no culto pagão, mas também fala da nossa feminilidade, da entrega do nosso corpo a Deus, fala do corpo entregue ao outro, a uma nova vida. 
   Claro que a maternidade está em nós independente de termos filhos biológicos ou não, mas uma coisa é certa, o mundo precisa de mães, de mulheres que manifestem sua feminilidade teológica, as características femininas de Deus, a maternidade de Deus. 

Finalizando...

    No geral, como cristãos precisamos entender que existe ainda muito machismo em nossa sociedade e isso se reflete em nossa igreja, até pela falta de entendimento do que seja feminilidade e masculinidade teologicamente, como já foi falado. Mulheres ganham menos que homens para os mesmo cargos, mulheres são menos contratadas por empresas porque geram filhos, filhos exigem cuidados que geram faltas no emprego (mas isso também se refere ao fato de muitos homens pensarem que só a mulher leva filho ao médico, vai em reuniões escolares, etc.). Quando uma mulher sofre algum tipo de violência sexual, sempre surge a questão: "mas ela estava vestindo que roupa?", "mas ela também bebe até cair, né?", mas ela estava em que local e em que horário?", "mas elas já namora qualquer um, né?", ou seja, a mulher é vitimizada duas vezes, como se o violentador só agiu daquela maneira porque a mulher o levou a fazer aquilo, mas o violentador faz o que faz porque ele é assim, e não a ocasião que o fez. Independente da roupa ou do estado alcoólico da mulher, o violentador aproveitou-se da situação porque ele não tem um bom caráter. 

    Homens abandonam seus lares o tempo inteiro, "abortam" seus filhos de sua vida, mas a mulher que fizer isso será duramente amaldiçoada, não estou tomando um lado, somente estou lançando coisas para a nossa reflexão. Quantos encontros de casais você já foi em igrejas que passaram a ideia que a mulher tem que ser multitarefa, incansável, com os filhos impecáveis e ainda estar linda no fim do dia?!
   Muitos casamentos abusivos são mantidos porque a igreja pensa que a mulher tem que suportar isso calada, mas muitas coisas constituem crime, a igreja que se cala é cúmplice. A mulher pode até querer manter o casamento, mas ela precisa se afastar e seu marido ser tratado, caso ele queira, para que o pior não aconteça a mulher.

    Olha, essa postagem demorou muito para ser escrita, tipo uns 3 meses de intensa reflexão e lutas internas. Pegue o que for útil, pense com sinceridade, e que possamos ser muito mais que macho e fêmea, mas homens e mulheres que expressam essa misteriosa dinâmica entre Cristo e a sua igreja. Que não precisemos de feminismo e nem outros ismos, mas somente voltemos ao Evangelho que fica tudo certo!


Referências



- Aqui deixo algumas interpretações interessantes para alguns textos que parecem machistas: CACP- Ministério Apologético, disponível em: http://www.cacp.org.br/misogino-a-mulher-em-israel/

- Este dois vídeos do Teólogo Guilherme de Carvalho, pastor da igreja Esperança e diretor do L’Abri Fellowship Brasil, foram reveladores para mim:

O significado teológico da Masculinidade: https://www.youtube.com/watch?v=_eZP5xkPgo4

A mulher mais poderosa do mundo: https://www.youtube.com/watch?v=W3KmWx-laVk


Outros vídeos e textos que pesquisei:

- Pastor Cláudio Duarte- Homem banana e mulher abacaxi. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=iqvZOpphQxo

- John Piper - O sentido último da verdadeira feminilidade. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=Vn1ERzRn7ds

- Podcast irmãos.com - Autoridade X Submissão. Disponível em: http://irmaos.com/podcast/podcast_irmaos.com_191-autoridade_x_submissao(128kbps).mp3

- Augustos Nicodemus. Resposta aos Argumentos usados em favor da ordenação feminina. Disponível em: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/01/respostas-argumentos-usados-em-favor-da.html

- Walter McAlister - Ordenação feminina. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gfbXViH4SR8

Argumentos a favor da ordenação feminina (embora seja uma prática da maioria das igrejas pentecostais pequenas, existe pouca defesa, com qualidade bíblica, deste ponto disponível na internet):

Revista Ultimato. Disponível em: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/329/ordenacao-feminina

Hermes C. Fernandes - ordenação feminina, 7 razões favoráveis a mulheres pastoras. Disponível em: http://www.hermesfernandes.com/2012/03/ordenacao-feminina-7-razoes-favoraveis.html